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O eclipse de Sobral (1919) e a visita de Einstein ao Brasil (1925)

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Depois de uma série de exposições, palestras, conferências e solenidades em comemoração aos 100 anos do eclipse de Sobral, a última atividade dessa efeméride aconteceu em 6 de novembro, com o lançamento do livro O eclipse de 1919 – A comprovação da teoria da relatividade geral, a física moderna e o Observatório Nacional.

Cartaz do evento de lançamento do livro.

Segundo Christina Helena Barboza, pesquisadora do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), o lançamento do livro foi realizado para coincidir com os 100 anos “da reunião conjunta da Royal Society e da Royal Astronomical Society, em Londres, quando foram divulgados os resultados das observações”. O livro conta com 10 artigos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, inclusive de Barboza, cujo artigo O Observatório Nacional e a observação de eclipses solares: ciência e cooperação internacional abre o livro.

LIGO: uma nova janela para o universo

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I. Janelas para o Universo

Nós, seres humanos, possuímos uma série de detectores, como nossos ouvidos e olhos, assim como estamos cercados por instrumentos que ampliam nossos sentidos, como microscópios e telescópios. Porém, construímos instrumentos capazes de detectar coisas além dos nossos sentidos, permitindo “ver” o que era “invisível”. Microscópios eletrônicos, radiotelescópios e telescópios infravermelho, de raios-X e raios gama são exemplos desses instrumentos, nossas mais modernas “janelas para o universo”.

Tanto nossos olhos e ouvidos, quanto os mais modernos microscópios e telescópios, são detectores de ONDAS. Enquanto o som é uma onda mecânica longitudinal que se propaga em um meio, a luz, as ondas de rádio e raios-X são ondas eletromagnéticas transversais que se propagam inclusive no vácuo. Todas essas ondas possuem uma determinada frequência, se propagam no espaço a uma velocidade definida e transportam energia e momento.

O som é uma onda mecânica que se propaga no ar, na água, nos metais, etc. Se a membrana do tambor vibrar a uma frequência de 80 Hz, ela produz uma nota mi. Essa onda sonora de nota dó se propaga pelo ar a uma velocidade de 340 m/s, é amplificada quando chega aos nossos ouvidos, e faz nosso tímpano vibrar, permitindo que a gente escute o som do tambor.

As ondas de rádio, as micro ondas, a luz visível, os raios UV e os raios gama são todos exemplo de ondas eletromagnéticas causadas por variações nos campos elétrico e magnético, que se propagam no vácuo a uma velocidade de 300.000 km/s. A diferença entre essas ondas é a frequência, e quanto maior a frequência dessas ondas, maior sua energia. Porque as ondas de raios-X e raios gama não penetram na atmosfera terrestre, os telescópios que detectam essas ondas são telescópios espaciais.

Porque todas as ondas possuem uma frequência característica, podemos construir detectores e aparelhos sensíveis a sons ou ondas eletromagnéticas imperceptíveis aos nossos olhos e ouvidos, e depois transformar essas ondas detectadas em imagens. É isso, por exemplo, o que um aparelho de ultrassom faz: transforma sons inaudíveis a nós, seres humanos, em imagens, como mostra a imagem abaixo.

Imagem de um bebê através de um aparelho ultrassom.

Isso é o que faz também uma série de telescópios, como radiotelescópios, telescópios infravermelho, telescópios de raios-X e telescópios de raios gama. Todos esses telescópios são telescópios de ondas eletromagnéticas, que podem transformar cada frequência da onda detectada numa cor.

Ondas de rádio emitidas por estrelas e galáxias conseguem penetrar a atmosfera terrestre e, por isso, enormes radiotelescópios podem ser construídos sobre a superfície da Terra. Acima, radiotelescópios ALMA, no Chile,. Ao centro, uma galáxia fotografada pelo radiotelescópio ALMA, e, à direita, a mesma galáxia fotografada por um telescópio ótico.

Einstein e a bomba atômica

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Em 1939, convencido por seu amigo Leonard Szilard de que a Alemanha nazista poderia construir uma bomba atômica, Einstein escreveu uma carta ao presidente americano F. D. Roosevelt sugerindo que seria "desejável estabelecer algum tipo de contato permanente entre a Administração e o grupo de físicos que trabalham em reações em cadeia nos Estados Unidos", através do fornecimento de urânio para o país e acelerando o trabalho experimental para realizar uma reação em cadeia com esse mineral. Em agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA lançaram as bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.

Apesar da carta que levou à construção da bomba atômica pelos EUA, Einstein sempre se colocou contra seu uso. Alguns anos depois do bombardeio ao Japão, escreveu que: 
Minha responsabilidade na questão da bomba atômica se limita a uma única intervenção: escrevi uma carta ao Presidente Roosevelt. Eu sabia ser necessária e urgente a organização de experiências de grande envergadura para o estudo e a realização da bomba atômica. Eu o disse. Conhecia também o risco universal causado pela descoberta da bomba. Mas os sábios alemães se encarniçavam sobre o mesmo problema e tinham todas as chances para resolvê-lo. Assumi portanto minhas responsabilidades. E no entanto sou apaixonadamente um pacifista e minha maneira de ver não é diferente diante da mortandade em tempo de guerra e diante de um crime em tempo de paz.
Até o final da vida, Einstein acreditou no controle internacional das armas atômicas e, sete dias antes de morrer, em 11 de abril de 1955, assinou um manifesto alertando o perigo dos arsenais nucleares e propondo caminhos alternativos para conflitos entre as nações que levassem ao desarmamento universal.

No livro Einstein: sua vida, seu universo, Walter Isaacson conta um pouco dessa história. 



A carta – O físico húngaro Leonard Szilard era um velho amigo de Einstein. Fugindo dos nazistas, chegou à Inglaterra e depois à Nova Iorque, onde trabalhou na Universidade de Columbia buscando maneiras de criar uma reação nuclear em cadeia. Ao ouvir falar da descoberta da fissão atômica com Urânio, Szilard percebeu que esse elemento poderia ser usado para produzir uma explosiva reação em cadeia.